Artigo:
A necessidade da Educação tornar a Escola mais envolvente para o aluno adolescente. Parte 1
Por: Noeli Aurélio Paulino de Oliveira
Atualmente,
fala-se de forma recorrente sobre a necessidade de se suscitar no aluno uma
formação integral, voltada, não apenas para a aquisição de conteúdos, mas
resultadora de um cidadão autônomo, com capacidade de análise e crítica,
comprometido com a sociedade na qual está inserido.
É
igualmente recorrente a queixa entre os educadores sobre a falta de interesse e
o baixo comprometimento do aluno, especificamente, os adolescentes com os
estudos.
É
fundamental perceber o desafio em tornar a escola um ambiente atraente e
envolvente para essa faixa-etária. Em palestra realizada para educadores em São
Paulo, Silvio Meira, cientista chefe do Centro de Estudos dos Sistemas
Avançados do Recife (C.E.S.A.R) e professor titular de Neurobiologia da
Universidade Federal de Pernambuco, abordou os desafios da Educação diante da
tecnologia e afirmou:
A conectividade é um dos principais meios para a
interação e geração de conhecimento. Para Meira, as escolas devem criar
mecanismos para atrair os alunos da chamada geração digital para dentro das
salas de aula.
Outrora os adolescentes não tinham acesso tão dinâmico às informações, o que torna o
desafio da escola muito maior, pois a mediação e a contextualização desse
conhecimento adquirido precisam ser realizados de forma a sobrepujar aquilo que
o aluno considera
suficiente e desnecessário de ser buscado numa instituição de
ensino.
Silvio Meira (2010) afirma que o
nosso desafio hoje é fazer com que as escolas sejam mais atraentes que a lan
house da esquina, pois alunos saem das salas de aula para a lan
house só por
causa da linguagem. Portanto, diante dessa nova 'literatura', dessa nova
capacidade de entender o mundo, o desafio é saber como podemos usar o ambiente
de
ação, de oportunidades e aprendizados, que convencionamos de educação, sem
ter
dificuldade de ensinar para as crianças o que ele é. O cientista continua:
Não
precisamos ensiná-los a usar a internet, a jogar, o professor pode
continuar a fazer o que estava fazendo. A linguagem está 'atacando' a escola e
precisamos saber como absorvemos isso, já que não vamos conseguir tirar isso (o
acesso e interesse à tecnologia) das crianças, dos adolescentes. Temos de
refletir sobre isso numa intensidade muito grande", afirmou Meira após a
palestra que integrou a programação do seminário "Redes e Sustentabilidade",
promovido pela Fundação Telefônica.
Além
do desafio da tecnologia a escola precisará acompanhar e atuar de forma
sistemática sobre o desânimo peculiar do adolescente e de que fora da instituição, esse aluno
poderá se perceber como parte ativa e construtiva da sociedade.
O
neurocientista Miguel Nicolelis, professor titular de Neurobiologia e codiretor
do Centro de Neuroengenharia da Duke University, nos Estados Unidos, que também
fez uma palestra no seminário, defendeu a ciência como agente de transformação
social.
Nicolelis,
que já foi considerado um dos 20 maiores cientistas do mundo, lidera o projeto
do Instituto Internacional de Neurociências de Natal, no Rio Grande do Norte,
que mantém a Escola Alfredo J. Monteverde, com unidades em Natal e Macaíba. A
missão é oferecer educação científica a crianças e adolescentes da rede
pública, com idades entre 11 e 17 anos.
Dar
sentido ao que se aprende e se apreende, para o adolescente, tornar a escola um
ambiente de afloração de ideias e base de pesquisa, torna-la atraente envolvente
para essa faixa etária, é o dever da escola.